Nota Ciclovida – Atropelamento do ciclista Adriano na Washington Soares

No último dia 12, mais um atropelamento na Av. Washington Soares deixou uma vítima fatal. Identificado como Adriano, o ciclista foi atingido por um motorista e, segundo matéria divulgada na imprensa da capital, arrastado por 200 metros. A identificação do veículo não foi obtida: o criminoso fugiu sem prestar socorro. O fato gerou comoção social e resultou em manifestação por parte da comunidade local, revoltada com o descaso do poder público com a vida dos moradores do entorno, ao privilegiar o fluxo motorizado.

A revolta é plenamente justificada. O atropelamento de Adriano, morador da comunidade, não foi o primeiro e, certamente, não será o último se o Estado seguir priorizando o motor em detrimento da segurança. O descaso com a falta de segurança na avenida, apesar de denúncias da sociedade, é inquestionável. Diante de mais dois casos de atropelamento que aconteceram na avenida nos dias 1º e 9 de maio, requerimentos de instalação de faixas de pedestres foram realizados ao Detran-CE (protocolo 0671836). “O setor pertinente ao assunto informou, em resposta, que no sentido sertão, a duzentos metros do viaduto, existe uma faixa para passagem de pedestres e a duzentos metros após o viaduto existe uma passarela. Como se não bastasse, faixas de pedestres têm sido apagadas na via, como ocorreu próximo à Av. Ministro José Américo, gerando também reclamações da sociedade (protocolo 0671837).

A Av. Washington Soares se situa em zona urbana contando com residências, escolas, comércio, instituições de ensino superior e diversos outro estabelecimentos que tornam alto o fluxo de pessoas, tanto a pé quanto de bicicleta. A política de mobilidade no local deve respeitar a Lei 12587/2012, cujo art. 6º, II, prevê “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados”. Este dispositivo segue sendo violado pelo Estado na avenida em questão tanto pela escassez de faixas de pedestres quanto pela instalação de passarelas em detrimento das faixas.

Passarelas são obras destinadas a zonas distanciadas da dinâmica urbana, tendo em vista que priorizam o fluxo motorizado, que não precisa parar para dar passagem ao pedestre e ciclista, em detrimento de um maior esforço das pessoas a pé e de bicicleta, que precisam subir um equipamento de um ou dois andares e descê-lo em seguida, apenas para atravessar uma avenida, e sem a possibilidade de acessar a ciclovia que fica no canteiro central da avenida. Este esforço se torna ainda mais penoso para idosos, pessoas com crianças de colo e pessoas com deficiências. Ademais, torna-se previsível a ocorrência de mortes na Av. Washington Soares, tendo em vista sua velocidade máxima em absurdos 60km/h, superiores até à maior velocidade máxima recomendada para zonas urbanas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A Ciclovida, que se solidariza com a família de Adriano, defende ser essencial mudanças na Av. Washington Soares, de forma a priorizar o deslocamento ativo. Esta priorização passa pela instalação de faixas de pedestres a cada, no máximo, 100 metros, inclusive no lugar das passarelas; forte campanha educativa, fiscalização e punição dos condutores de veículos motorizados; a aplicação de equipamentos de fiscalização eletrônica de 40km/h próximas às faixas de pedestres; e redução da velocidade máxima em todo o trecho urbano da avenida para, no máximo, 50km/h, devendo ser menor em trechos conflituosos. Tratando-se de via em zona urbana, esta deveria ser gerida pela Prefeitura, sendo, portanto, urgente sua municipalização.