Desafio Intermodal 2017: Como é caminhar da Praça da Imprensa até o North Shopping?

Em alusão ao mês da mobilidade, a Ciclovida promoveu, mais uma vez, o Desafio Intermodal, no último dia 27. A proposta era: um grupo de pessoas deveria sair, no mesmo horário, de um ponto a outro da cidade, cada uma com um meio de transporte diferente. Objetivo era saber qual seria o meio de transporte mais eficiente.

Um grupo de 14 pessoas saiu, às 18 horas, da Praça da Imprensa, na avenida Antônio Sales, com destino à praça Jonas Gomes de Freitas (praça do animais), próxima à avenida Bezerra de Menezes. Foram utilizados 13 meios de transporte: bicicleta rápida, bicicleta urbana, bicicleta compartilhada, bicicleta compartilhada + Ônibus, bicicleta elétrica, pedestre correndo, pedestre caminhando, ônibus, táxi, uber, carro, moto e mototáxi.

Oito quilômetros de caminhada

Quem aceitou o desafio de caminhar os oito km de trajeto foi Eraldo Sá, que é ciclista no dia a dia. Eraldo nos contou como foi a experiência. Confira o relato abaixo:

“Participei do desafio intermodal na modalidade ‘pedestre caminhando’. Queria sentir as agruras de um caminhante nessa cidade, ainda mais em avenidas tão amplamente alardeadas pelo marketing da Prefeitura. Como já tenho o hábito de caminhar pensei que não teria tanta dificuldade. As sensações experimentadas foram muitas ao longo do percurso.

Assim que o desafio começou, o aglomerado de pessoas dá lugar à solidão. De repente todo o grupo debanda e você tem necessidade de uma companhia. Só de pensar na distância… ‘Você vai ter que se distrair de alguma forma’, pensei. Me aconselharam fones pra ir ouvindo uma música ou audiolivro. Mas pensando agora, não seria uma boa porque talvez acabaria me desconcentrando da questão de possível violência urbana dos ‘donos do alheio’.

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E aí você sai… Vê aquela calçada relativamente ampla, plana e se motiva. Ainda está descansado e subir os meio fios não é problema, basta levantar um pouco os pés e ir vencendo o que, neste momento, ainda não encara como obstáculo. Logo nos primeiros metros, começam os aborrecimentos pelo desrespeito e, olhe, eram vias usadas para marketing da prefeitura na questão da mobilidade urbana, mas que se resumem a carros e, com muita ‘chiadeira’, bikes. Porque para pedestres…

Com carros estacionados sobre calçadas nem me admiro mais, só me aborreço. Agora fiquei pasmo foi com a falta de acessibilidade ao longo do caminho. Como é que se faz propaganda de grande obra de acessibilidade quando se tem verdadeiros obstáculos físicos??? Estava ‘naszaldeota’, em vias tão propagadas como acessíveis e de ótima mobilidade urbana. Deixei de registrar beeem mais exemplos de desrespeitos por conta de estar receoso da bateria do celular ‘arriar’, mas maus exemplos teve de ‘carrada’.

A percepção do desafio muda ao longo do trajeto: você chega ao local de partida efusivo e sai pensando apenas na distância a ser vencida, mas já nos primeiros quarteirões seu foco muda para os desrespeitos percebidos a cada passada. Carros, verdadeiras RURAIS, no espaço urbano, sobre calçadas em que a gestão pública insiste em entender como estacionamentos. No que sobra disso, não há calçada mínima que seja, você é obrigado a descer para a via, no caso, para a ciclofaixa.

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Até aqui os aclives e declives PARA OS CARROS NAS CALÇADAS não eram problema. Descer e subir era tranquilo. As ondulações feitas nas calçadas também não eram dificuldade ainda. A única chateação eram aqueles rabos de carro atrapalhando a trajetória. ‘RC, VAMU CAMINHAR BATENDO UM PAPIM???’

Me deparo com uma placa impedindo um espaço de imóvel abandonado de ser utilizado como estacionamento bem na esquina e no que era calçada. Dá vontade de arrancar! Mas sigo, estou descansado física e mentalmente. Só percorri uns 800 ou mil metros. Encontro um furgão na calçada que é utilizada como garagem por toda a noite (e na volta, após as 20 horas, estava lá ainda).

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E aí você começa a não encontrar mais calçadas e encontra um senhor e sua barra circular, acabando de prendê-la na placa de sinalização, bem na esquina e no meio da calçada.

Quinze metros depois, duas pessoas dentro do carro, na calçada, conversando. E olhe que tinha muita vaga no estacionamento do supermercado. Deu uma vontade de falar com elas, mas meu foco era outro e o Strava tava me entregando.

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No caminho, você encontra entulhos, lixos, pneus de borracharia expostos na calçada e já começa a sentir o primeiro cansaço físico e mental com uns dois quilômetros e meio de trajeto. E você começa a perceber que necessita de rampa de acesso e NÃO TEM!

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Um trecho sinistro de se passar é entre a av. Imperador e o início da Bezerra (av Bezerra de Menezes), pouco movimento, mesmo de carros… mal iluminado. No ‘finalzim’ da av. Domingos Olímpio, a uma quadra da Bezerra, atravessar na faixa de pedestre é temerário, porque ali há uma bifurcação onde se fecha o sinal sentido leste oeste, mas quando se percebe vem carros sentido sul norte… uma moto apareceu do nada. E ainda se soma que tem uma curva. Atravessa ali ou vai até a Bezerra.

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Após 1 hora e 35 minutos, cheguei. Havia decidido fazer o (desafio) intermodal como um usuário do dia a dia, vestido “para o trabalho”. E ao fim, com o sapato social, após uns oito km, sentia o piso como um deficiente visual. Não há coisa mais torturante do que as ondulações daquelas calçadas depois de uma hora de caminhada. Aquela parte vermelha, onde o piso é ‘caraquento’, você sente na sola do sapato de forma que lhe faz correr doido.”

ERALDO SÁ

 

Veja qual foi o resultado do Desafio Intermodal 2017.

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