Ciclistas e pedestres disputam espaço nas calçadas

estado2Está cada vez mais comum encontrar bicicletas disputando espaço com carros, motos, transportes públicos e, principalmente, pedestres. A Prefeitura de Fortaleza está tornando realidade a locomoção através das bikes. Em dois anos, a capital cearense aumentou 64,5 quilômetros de malha cicloviária, contando ainda com 60 estações de compartilhamento oferecendo 600 bicicletas.

No início de 2013, a Capital tinha 73 quilômetros de estruturas exclusivas para o usuário de bicicleta. Esse número já aumentou em 88%, passando para 137,5 quilômetros após a implantação de ciclofaixas nas regiões da Aldeota, Montese, Bom Jardim, Granja Portugal e Benfica. A meta é chegar aos 216 km até o final do próximo ano.

Mas, além da discussão sobre o respeito do motorista automotivo ao ciclista, que é pauta corrente na cidade, levantamos a questão do respeito do ciclista ao pedestre. Apesar da grande extensão de ciclofaixas em Fortaleza, é comum ver um ciclista dividido espaço com o pedestre. A reportagem O Estado verde foi até o aterro da Praia de Iracema, local que recentemente recebeu uma larga e moderna ciclofaixa, mas, no entanto, não impede que ciclista e pedestre continuem dividido o calçadão.
É unanime a reclamação dos pedestres: “Dá para contar nos dedos os que respeitam nosso espaço. Pra quê um faixa deste tamanho para eles (ciclistas) se continuam pedalando pelo calçadão?”, questionou Maria Helena, empresária diariamente, faz cooper no local.

No entanto, há os que não se importem como é o caso militar Francisco José. “Sou a favor do espaço compartilhado, mas que todos tenhao atenção. Ninguém, assim, corre perigo”, Defende o frenquentador assíduo do calçadão.

Diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida), Celso Sakuraba, defende o ciclista no passeio. “O uso compartilhado das calçadas entre as pessoas de bicicleta e a pé não é um absurdo, é uma medida muito comum em diversas cidades do Brasil e no mundo. Compreendendo-se que o risco entre pessoas a pé e bicicleta é muito menor do que as pessoas de bicicletas e o carro”.

Além de defender o uso compartilhado, Celso destaca que o ambiente a beira mar difere do resto da Cidade, por ter um grande uso de lazer. “Na Praia de Iracema você tem uma carência de espaço, aí você coloca as pessoas que andam de bicicleta reduzida a um espaço minúsculo. O que a gente precisa fazer é destinar espaço suficiente para que as pessoas possam ordenar-se dentro do espaço”, afirma.

Ainda de acordo com Sakuraba, com relação ao restante da cidade os ciclistas temem andar nos espaços destinados a eles, por medo dos veículos automotivos. “Andando de bicicleta na rua, o ciclista é hostilizado por causa de uma cultura extremamente carrocêntrica e da politica de mobilidade da prefeitura que leva as pessoas a pensarem que as ruas são destinadas apenas a veículos motorizados e de forma agressiva ameaça os ciclistas que preferem usar a calçada, assim como o pedestre. Então, não há como a gente fazer com que os ciclistas deixem de usar as bicicletas nas calçadas se a gente não garantir um espaço de segurança no asfalto para eles”, justifica.

O que diz a lei?

O artigo 255, no capitulo XV, do O Código Nacional de Trânsito determina, “Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do artigo 59: Infração-Média; Penalidade – Multa; Medida administrativa: remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.” Significa dizer que calçada é lugar de pedestre.

O vereador e líder do governo, Evaldo Lima, na Câmara municipal, destacou que o respeito ao espaço público é um problema muito sério. Ele acredita que é “necessário que seja priorizada a educação no trânsito. mecanismo de mais civilidade, da própria ética do agir coletivamente e da gentileza urbana”.

Para Evaldo, a aplicação da legislação de trânsito para os ciclistas que pedalam nas calçadas é muito severa e prejudicaria, principalmente, os trabalhadores que usam o equipamento como meio de transporte. “A maioria dos usuários de bicicletas da cidade, mais especificamente 70% dos usuários, usam as bicicletas como transporte, especialmente trabalhadores, e a sansão que prevê o recolhimento da bicicleta, acaba sendo uma penalidade muito dura, então é necessário que haja sensibilidade. Educação é a chave para esse tipo de problema”, enfatiza

“Caminhos da bicicleta”

Com o objetivo de conscientizar os ciclistas sobre a importância da utilização dos equipamentos de proteção individual, a exemplo dos capacetes, e os locais onde o ciclista deve circular com segurança, Evaldo destaca que a Prefeitura vem realizando edições do Projeto Caminhos da Bicicleta. “A iniciativa procura ressaltar que o ciclista utilize a bicicleta juntamente com os mecanismos de segurança, que pedale no sentido da via, e não na calçada, e sempre lembre que o passeio é local para pedestre. Mas é necessário uma sanção, da mesma forma que é necessário sanções para os invasores da ciclovias e ciclofaixas”, afirmou.

“Caminhos da Bicicleta” é uma iniciativa da Gerência de Educação da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), que objetiva incentivar o respeito entre os modais e conscientizar para uma convivência harmônica e segura no trânsito.

Terminais terão estações com bicicletas compartilhadas

Os terminais de ônibus de Fortaleza vão receber estações de bicicletas compartilhadas do sistema Bicicletar. Os terminais vão ganhar estações com 50 bicicletas compartilhadas. Além disso, os usuários poderão utilizar as bicicletas por até 14 horas.

Cada estação deve contar com cerca de 60 vagas, podendo variar dependendo da demanda de passageiros em cada terminal. Junto às estações, 15 paraciclos, com 30 vagas, serão instalados para que os usuários possam guardar suas próprias bicicletas.
A previsão para o início do funcionamento do Sistema de Bicicletas Compartilhadas – Modelo Integração é entre os meses de abril e maio. A fase inicial é de chamamento público com a finalidade de receber propostas de empresas para firmar termo de autorização para implantação, operação e manutenção do novo sistema.

Após a fase inicial, a primeira expansão do novo sistema deverá considerar áreas que potencializem a integração com o sistema de transporte público, tendo como foco principal os pontos de paradas de ônibus com maiores demandas e por onde passa um grande fluxo de pessoas.

O novo sistema funcionará todos os dias da semana, das 5h à 00h para retirada das bicicletas, e 24 horas (tempo integral) para devolução dos veículos. As bicicletas retiradas a partir das 17h das sextas-feiras poderão ser devolvidas até às 9h da segunda-feira seguinte, sem que haja penalidade para o usuário. A mesma regra será aplicada nos feriados.

A utilização das bicicletas compartilhadas será gratuita e ilimitada, desde que respeitado um intervalo mínimo de 15 minutos entre cada uso. Porém, será necessário utilizar o Bilhete Único Fortaleza para realizar o cadastro.

O Sistema Bicicletar, que realiza cerca de 2.690 viagens por dia, continuará a ser usado pelos usuários para viagens de curta duração.

Fonte: O Estado CE